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Ensaio sobre dois cegos

Para quem acha que escrever com IA te livra do trabalho de pensar

Vamos tirar o elefante da sala logo no primeiro parágrafo: sim, eu uso inteligência artificial para escrever. E sim, este ensaio que você começou a ler foi parido a quatro mãos em uma conversa direta entre mim e um modelo de linguagem. Podem rasgar as vestes, acionar a inquisição dos puristas da folha em branco ou me denunciar para a polícia da literatura orgânica: a verdade é que não tenho a menor vergonha disso. Fingir que eu psicografei cada vírgula sozinho em um transe solitário diante de uma tela escura para manter pose de gênio romântico seria uma hipocrisia tão patética que nem o Linkedin teria coragem de publicar.

Vinte Minutos para Explicar Meio Século de Aprendizado de Máquina

Notas de sobrevivência para apresentar aprendizado supervisionado e por reforço sem surtar no palco

Botar um cronômetro de vinte minutos na sua frente e ter que explicar aprendizado supervisionado e aprendizado por reforço é um exercício de síntese homérico, na melhor definição que consigo pensar agora (e olha que eu gosto de uma boa dose de masoquismo). Estamos falando de duas áreas monumentais da computação que consumiram décadas de pesquisas, acumularam centenas de variações algorítmicas e hoje sustentam quase tudo o que chamamos de IA moderna.

Reforma Tributária para Dummies

Talvez a reforma tributária seja mais simples que seu contador faz parecer

Eu sou de infra. Meu trabalho é manter servidores de pé, redes funcionando e deploys acontecendo sem que ninguém perceba. Programação pra mim é ferramenta, não profissão. Eu abro o Python quando quero dissecar um conceito, do mesmo jeito que abro um terminal pra provar que a falha não é na aplicação, é na rota de rede: não é sobre elegância, é sobre desmontar a máquina pra entender quem ela realmente serve.

Estou aqui para trabalhar e não para fazer amigos

Quando você passa mais horas com quem não escolheu do que com quem você gosta

A frase do título foi dita, com todas as letras, por alguém com quem trabalho. Foi dita com raiva. Não a raiva explosiva das discussões que todo mundo vê e ninguém esquece, mas aquela raiva de baixa temperatura que fermenta durante meses até impregnar cada palavra com uma amargura densa e específica. Não saiu como constatação pragmática de quem separa vida pessoal de profissional com critério: saiu como declaração de guerra fria, proferida por alguém que já havia catalogado mentalmente cada pessoa do setor como inimiga em potencial, ré confessa ou mera peça descartável no tabuleiro (às vezes as três coisas ao mesmo tempo, dependendo da semana).

Ensaio da Banca de 20 Minutos: Agentes e Busca em IA

Ansiedade acadêmica, modelos mentais de IA e como sobreviver à avaliação de apresentações relâmpago

Hoje mais tarde eu tenho aula de Tópicos em Inteligência Artificial, e o professor resolveu implementar uma daquelas dinâmicas que colocam a minha ansiedade em órbita: bancas avaliadoras compostas pelos próprios alunos. Funciona assim: enquanto um grupo vai para a frente da sala defender o tema da semana, outro grupo senta na primeira fila com a nobre e ingrata missão de fazer perguntas, avaliar o conteúdo e fingir pleno controle da própria vida acadêmica.