📂 Ensaios

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Ensaio sobre dois cegos

Para quem acha que escrever com IA te livra do trabalho de pensar

Vamos tirar o elefante da sala logo no primeiro parágrafo: sim, eu uso inteligência artificial para escrever. E sim, este ensaio que você começou a ler foi parido a quatro mãos em uma conversa direta entre mim e um modelo de linguagem. Podem rasgar as vestes, acionar a inquisição dos puristas da folha em branco ou me denunciar para a polícia da literatura orgânica: a verdade é que não tenho a menor vergonha disso. Fingir que eu psicografei cada vírgula sozinho em um transe solitário diante de uma tela escura para manter pose de gênio romântico seria uma hipocrisia tão patética que nem o Linkedin teria coragem de publicar.

Vinte Minutos para Explicar Meio Século de Aprendizado de Máquina

Notas de sobrevivência para apresentar aprendizado supervisionado e por reforço sem surtar no palco

Botar um cronômetro de vinte minutos na sua frente e ter que explicar aprendizado supervisionado e aprendizado por reforço é um exercício de síntese homérico, na melhor definição que consigo pensar agora (e olha que eu gosto de uma boa dose de masoquismo). Estamos falando de duas áreas monumentais da computação que consumiram décadas de pesquisas, acumularam centenas de variações algorítmicas e hoje sustentam quase tudo o que chamamos de IA moderna.

Ensaio da Banca de 20 Minutos: Agentes e Busca em IA

Ansiedade acadêmica, modelos mentais de IA e como sobreviver à avaliação de apresentações relâmpago

Hoje mais tarde eu tenho aula de Tópicos em Inteligência Artificial, e o professor resolveu implementar uma daquelas dinâmicas que colocam a minha ansiedade em órbita: bancas avaliadoras compostas pelos próprios alunos. Funciona assim: enquanto um grupo vai para a frente da sala defender o tema da semana, outro grupo senta na primeira fila com a nobre e ingrata missão de fazer perguntas, avaliar o conteúdo e fingir pleno controle da própria vida acadêmica.

E se a gente refatorasse o Cálculo?

Como a dívida técnica na matemática transformou derivadas e limites em pesadelos de decoreba

Eu desisti de fazer faculdade de Matemática por causa de cálculo, e definitivamente não foi por falta de interesse na disciplina como um todo. Pelo contrário: matemática discreta, teoria de números, teoria de conjuntos, axiomas de Peano, a incompletude de Gödel, a cardinalidade de infinitos e a hipótese do continuum sempre me fascinaram de um jeito quase obsessivo. Eu lia sobre essas estruturas por puro prazer, porque achava bonito ver cada peça lógica se encaixar com elegância. O problema era quando chegava em cálculo: ali a matéria virava um muro intransponível de regras mecânicas, e durante muitos anos eu me convenci de que a limitação era exclusivamente minha.

A Catedral, o Bazar e o Jardim

Como a era da inteligência artificial está transformando a criação de software em um cultivo pessoal e hiperlocal

A forma como descrevemos o desenvolvimento de software diz muito sobre como escolhemos construí-lo. Por muito tempo, tentamos nos convencer de que éramos engenheiros erguendo estruturas imutáveis de concreto e aço, seguindo plantas rígidas e previsíveis. Mas quem vive o dia a dia do código sabe que essa caixa de ferramentas não dá conta da realidade: somos, na verdade, algo muito diferente disso.